Can't buy me love

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

"Tudo que é sólido se desmancha no ar" é uma citação é Marx meu querido. Nada tem a ver com a volatilidade da matéria, mas da incostância necessária para a alimentação do capitalismo.

Gomi diz "o leitor de Weekpedia num vai entender"

Verdade. Devo desenvolver então? Desenvolverei.

Primeiro: Se vc mora em SP vá numa banca e compre o manifesto do partido comunista. É baratinho, garanto. O preço de uma revista adulta (nunca entendi esse lance de algo "adulto" ser algo pornográfico). E vale mais a pena.
Se vc não mora em São Paulo (e acreditem, isso é um choque para muitos paulistanos - Vida inteligente fora daqui) provavelmente vai ter na livraria da sua cidade, se não tiver na banca mesmo.
Na minha cidade, que não tinha nenhuma livraria, eu achei pra comprar no mercado.
Se ainda sim vc num encontrar, me mandem um email. Eu mando o meu pra vcs.

E é photoshop free. E isso, nos dias de hoje é raridade.


Seguinte brodáge que curte essa parada aqui, a frase quer dizer o seguinte:

No mundo capitalista tudo vai mudar bem rápido, trocar de significado. Pra manter a citação completa (é possível que contenha alguns erros, afinal é de cabeça)

"Tudo que é novo se torna velho, o sagrado se torna profano, tudo que é sólido se desmancha no ar"

O que signifca meus queridos o fenomeno "so last week", explica porque Strokes é uma banda clássica (Pouco importa os detratores, a opinião pública os trata assim), explica porque Blink tb o é (Pouco importa os detratores, a opinião pública os trata assim), explica porque vc NÃO pode sair vomitando "O Capital" (tbm num sabe do que se trata - é a obra máxima do barbudo). explica porque aquele seu amigo - que faz ciências sociais e afirma que o véio tá ultrapassado pois era dogmático - nunca entendeu a maior obra desse tiozão.

Gomi diz "E o capital?"

Tá, o capital é maior realmente (4 volumes contra 100 páginas na versão pocket).

Mas o manifesto é mais interessante. Ele é o marco fundador, ele assentou algumas pedras e 0rganizou pensamentos nunca dantes feitos. O capital foi mais longe? CLARO, mas o manifesto não pode ir tão longe quanto o capital, ele é só uma manifesto.

Gomi diz "E ele manifesta o que?"

Que um fantasma ronda a europa. O fantasma do comunismo.

O livro é muito bom. Mudou a minha vida. Foi o primeiro livro político que eu li que era simplesmente apaixonado. Não sei se foi o tradutor (se foi, minha eterna gratidão) ou se a prosa sempre foi assim. Mas dá pra entender porque ele conquistou tanta gente.

O ponto é simples, e ninguém sacou ao ler: A bagaça muda. Sempre vai mudar. A mudança é a constância do capitalismo. A gente tem q esperar isso, prever, se adiantar talvez. Mas num adianta fingir que não vai mudar, porque vai. Ele vai engolir o que surgir de interessante nas suas bordas e tornar algo próprio. Ele vai vender uma cantorazinha de 16 anos e expo-la tanto, mas tanto que com 23 ela vai estar velha, acabada para o mercado. E o que era novo tornou-se velho antes de se enraizar, o que era sólido se evaporou.

Por isso o amor é tão importante, em eventos enormes ou no pão de queijo.

'Cause money can't buy me love

não é tudo por grana. - . Olhar (ou não).

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Aproveitando uma manhã de inesperado bom humor...
Devo tirar o chapél para o que o Sr. –b. disse (esse rasgamento de seda já ta ficando chato...). De fato, manifestações de amor e desprendimento ainda existem, e que sejam bradados cinco Heils à Heris por isso.
O evento que o Sr. –b citou e o qual participa, é um grande exemplo de como, apesar de tudo, o mundo ainda vale a pena. Mas é um exemplo grande, uma grande manifestação, que não ocorre todos os dias e nem esta acessível a todos (apesar de rolar na faixa, a maioria das pessoas do mundo mora longe demais para ir... háááá). E vindo para o trabalho me ocorreu o pensamento de que existem muitas outras manifestações como essa ocorrendo a todo instante, nas pequenas ações de quase todas as pessoas. Uma carta que se escreve, um poema, um abraço, sorrisos, caminhadas, uma boa noite de sono, se atrasar no trabalho porque se decidiu estender a conversa com um amigo... tudo isso mostra que as pessoas não estão totalmente perdidas, são coisas que se faz por amor, sem esperar nada em troca (talvez aqui eu esteja sendo um tanto otimista demais...mas como já disse, estou de bom humor). E é muito fácil se esquecer dessas coisas e dizer que esta tudo uma merda, mas porque é tão fácil se esquecer disso? Talvez por ser corriqueiro, estar enraizado, é comum, não é grandioso... e creio que o fato disso ser tão banal é que os faz passar despercebidos, e ao mesmo tempo, na contra-mão, demonstra o quanto ainda somos bacanas, fazemos tudo isso espontaneamente.
É claro que nem tudo é um mar de rosas, e nem creio que seja essa a discussão aqui, o que estamos tentando entender é a forma de se encarar as coisas (pelo menos, é isso que estou fazendo agora). Na maior parte do tempo as pessoas agem como estúpidas ou simplesmente perversas, e ainda sim, o mais filho da puta dos engravatados é capaz de ser uma boa pessoa de vez em quando. Como encarar uma situação dessas? Novamente creio que o melhor caminho seja o do meio. Meter o pau na bunda do mundo, tocar o foda-se, e jogar a merda no ventilador ao invés de varrê-la para debaixo do tapete, é muito legal e faz bem pra saúde. Mas parar para olhar nossa própria beleza de vez em quando nos mostra que ainda vale a pena. As duas interpretações são necessárias. Equilibram-se. E é por isso que não me importo em me contradizer, na maior parte do tempo eu quero mais é que você se foda e se afogue na própria merda... mas as vezes também é bom te dar um abraço e reconhecer que você alguém legal.
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Se aprofundando mais no caminho que quero chegar...

É legal trazer essas coisad do macro para o microcosmos-pessoal, ver quer todos temos um lado positivo (que as vezes, fede mais que o negativo... mas insisto no bom-humor), e toda essa complexidade, essa balança ora num lado, ora no outro, nos faz seres humanos (na melhor das hipóteses...). E isso contradiz essa realidade maniqueísta que tentamos traçar boa parte do tempo (“a vida é dura”, “ele tem vida boa”, “ele é uma pessoa horrível”, “ele é um santo”... engraçado como nossa vida é sempre dura, a do outro é que é sempre fácil... bacana esse vício de querer ser guerreiro, sofrido... bastante inútil...). E aqui é onde eu queria chegar no primeiro texto(obviamente fracassado). É tudo complexo demais, cada pequeno passo num domingo ensolarado, cada tragada naquele ultimo cigarro antes de dormir, cada ato comum da vida encerra em si valores demais, variáveis demais. E cada uma dessas variáveis vai ser interpretada de forma diferente por cada pessoa. Um abraço que o candidato a prefeito da em uma criança, pode significar carinho para a mãe do guri... pra mim é pura encenação, vai saber o que é para o candidato!!!? Mas dai você me diz, “mas eu também acho encenação, então eu penso igual a você. Podemos traçar uma certa realidade baseada na nossa concordância”... Balela meu amigo, isso é balela, se pararmos para discutir o porquê achamos encenação, vamos ver que temos motivos diferentes (quanto mais esmiuçarmos esses motivos, mas eles diferem). Quanto mais nos aprofundarmos, mais veremos que discordamos em quase tudo. A “noção de realidade” se mantém enquanto superficial, mas não resiste a um olhar um pouco mais profundo.
Lembram-se daquela história “tudo que é sólido se desmancha no ar”, “em você existe mais vazio do que você”??? Toda essa historinha quântica que se manifesta na matéria. A conclusão máxima da ciência moderna de que na verdade, bem na verdade, nada existe mesmo (e sejamos sinceros... muita gente já sabe disso a milhares de anos, o que adicionado a nossa soberba, só mostra nossa bostice... nós enquanto sociedade Europeizada). Em cada átomo dessa cadeira que você está sentado(a) existe mais espaço vazio do que átomo. Muito bem, já detonamos com essa idéia de realidade física(pelo menos com a idéia de matéria enquanto sólido, imutável.), nos sobra a idéia de realidade enquanto moral, ética e comportamento. Mas, como considerar realidade (coisa que em teoria deveria se aplicar a todos, uma vez que existe independentemente de nossa vontade ou forma de olhar) uma coisa que permite interpretações tão variadas quanto os minutos de sua vida multiplicado pela quantidade de minutos da minha vida, multiplicado pela quantidade de minutos na vida de todas as pessoa que já nasceram e ainda vão nascer?
Na melhor das hipóteses realidade é algo inatingível.
No meu ponto de vista ela simplesmente não existe independente de mim. E toda essa merda foi pra dizer isso. Realidade é o que nós pensamos ser. Você é a realidade. Você é quem molda a existência. Não existe salvador que não você, não existe culpado que não você. Não existe cultura, fé ou religião que não seja a sua. O que você pensa é reflexo do que você faz. Portanto, saber sorrir te faz uma pessoa um pouco melhor.
E novamente digo: Toda essa merda é agente que caga, pisa em cima e ainda reclama.
O mundo foi você quem criou, se não esta gostando... mude!
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E antes que me venham com idéinhas de que isso permite o desrespeito a cultura do outro ou impossibilita a convivência em sociedade, é bom lembrar que do mesmo jeito que eu moldo minha realidade e sou o que eu quiser, você também o faz. Minha liberdade de existir começa precisamente onde começa a sua também.
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"Todo homem e toda mulher é uma estrela". - Liber Al Vel Legis

“Todo homem, mulher e criança nesta Terra é um genuíno e autorizado Papa”. – Principia Discórdia.

“(...)Eu mesmo, não vi ainda um homem que já não seja Deus.” - O Livro dos Prazeres-Austin Osman Spare

Nem tudo é por grana - ainda bem

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Li, reli, refleti e concordei com a texto do gomi aí embaixo - Ele mandou muito bem.

MAS (e adoro os MAS dessa vida) nem tudo ainda foi consumido por essa ânsia, e isso tem q de ser lembrado.

Estou no trampo, já fazem quase sete horas e me preparo agora pra encarar mais 12h.

Pra que!?

Pra preparar uma festa, de certa forma, pra preparar um enorme evento, de outra forma, mas principalmente pra preparar uma enorme declaração de amor. E essa é a perspectiva que realmente me faz insistir em uma jornada de trabalho tão longa.

Eu ajudo, com muita humildade, a preparar uma declaração de amor que vai durar 80h, se iniciando amanhã e terminando domingo apenas. E é do caralho isso.
Pra tornar tudo mais claro: a partir de amanhã rola aqui na praça Roosevelt (fim da Rua Augusta) as Satyrianas. Deem uma pesquisadinha rápida no seu buscador favorito, é fácil achar o que é. E o custo de um evento como esse é altíssimo e o retorno financeiro é ZERO.

Surreal num mundo movido a grana né?

É, mas tem gente que ainda prefere fazer aquilo que acredita, ainda que não ganhe nenhum dinheiro com isso. Toda a festa é uma declaração de amor desmedido pelo teatro, pela arte em geral e principalmente a nós mesmos: Nós vamos batalhar, nós vamos seguir em frente e não vamos nos vender.

"Nascer devendo e se crescer querendo e ainda sim não se vender" O jorge é foda.

Não vou citar nomes pra não acharem que to puxando saco de ninguém, mas essa galera aqui tá fazendo de tudo pra fazer isso acontecer, e ninguém em nenhum momento tá pensando em ganhar nada em cima, só em fazer mesmo.

Por exemplo: Rolarão um sem números de peças teatrais, cinema, música. E aquilo que não for simplesmente aberto cobra aquilo que você quiser pagar pra ver. E isso vem de anos antes do Radiohead, e ao contrário destes, não foi um golpe de marketing, mas sinceridade.

Ouvi mais de uma vez que esse evento é impagável, e frente a uma perspectiva dessas a maioria simplesmente o deixaria de lado. (e falo de todos mesmo)

Esses caras decidiram que se ele é impagável tocar o foda-se e arcar com o prejuízo financeiro, mental e físico (ou alguém acha que um turno de trabalho de 19 horas faz bem a alguém?). Apenas porque é LEGAL fazer. Num tem golpinho, num tem jogada. Essa grana não vai voltar, nem mesmo se pensando em retorno futuro prum próximo evento. Porque ano que vem vai ser do mesmo jeito. Vai ser sem grana, sem tempo e com muito amor. Porque só com muito amor a gente pode pensar em fazer um lance desse.

E vcs podem pensar: "ah, mas vc tá recebendo uma boa grana pra fazer isso, e tirando os organizadores, todo mundo também vai" E te digo que a resposta é: Não, eu num to levando uma boa grana por isso, ganharia muito mais fazendo praticamente qualquer outra coisa e quem participa leva uma quantia boa: ZERO. Eu só to recebendo porque esse é meu emprego. E aliás só aceito receber pq essa é a minha única fonte de renda, e passar fome num eh legal. Se pudesse não cobrar nada, num cobrava.

O mundo continua uma merda, as pessoas só pensam no delas e em ganhar e ter mais e mais. Tudo isso é verdade. Mas ainda bem que existem as T.A.Z's (também de uma pesquisada, vc vai me enteder).

E a partir de amanhã e indo até domingo teremos uma TAZ aqui em Sampa. No centro. Na praça Roosevelt. Ela vai rolar esse ano, e ano que vem tá de volta. Talvez comigo de novo, talvez sem. Mas o mais importante: Acontecendo. E independente de grana, ela vai rolar.

Enquanto houver amor ela vai rolar.

blog devia ter ombudsman.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Texticulo emo

quarta-feira, 15 de outubro de 2008










Estava olhando pela janela do meu quarto agora e me veio uma questão que a muito não me aparecia:
Pra quê??
Pra quê diabos esses prédios? Pra quê essa correria? Pra quê transformar a vida nessa batalha? Pra quê tudo isso?
Quando eu morava no interior, as coisas tinham outro ritmo, é lógico que os malucos-de-terno-atrás-de-grana estão em toda parte, mas o dia passava de outra forma. Por exemplo, lá eu demorava mais ou menos 30 minutos para comer um prato de comida. Aqui, em 10 eu já enchi a pança (e olha que a pança aumentou). E não é uma questão de que antes eu tinha mais tempo para comer, tenho tanto tempo quanto antes. O espirito dessa cidade é que é mais afobado. Mas pra quê essa afobação? Medo de perder o bonde?
Não vou negar que eu gosto dessa puta loucura desnecessária, mas afirmo. É desnecessária!
E por saber que é desnecessária, e apesar de gostar, a pergunta não foge... pra quê?
Pra quê essa luta violenta atrás de sempre mais dinheiro? Que é uma coisa importante para se viver na nossa sociedade, e que é bacana poder gastar sem se preocupar (pelo menos eu imagino que seja) não nego... mas vale uma vida? Vale tantas vidas? O problema não é meu, saca? Se você quer se matar de uma forma estupida e levar um monte de gente contigo, se eu não for uma dessas pessoas, o problema não é meu. Eu realmente não me importo com sua vida... eu só queria entender um pouco melhor essa sua doença.


E pelo amor do santíssimo não me venham dizer que essa batalha toda trava-se para viver nos dias de hoje, que sem dinheiro não se vive, que é preciso trabalhar para construir uma vida melhor, que é isso que se precisa fazer, e essa conversinha conformista pentelha.
Se você pensar algo assim, eu espero que você pegue lepra e morra. Isso tudo eu sei. Que é assim que as coisas funcionam por aqui eu sei. Que essa fantasia da 'necessidade' atinge quase todo mundo eu sei, a minha duvida é porque se chegou a esse nível?


Talvez seja o caso dos impulsos sexuais essenciais pra nossa sobrevivência enquanto espécie.
Um macho com status, ou seja, uma boa referencia dentro de uma sociedade, tem maiores chances de ser um bom provedor de alimentos para a cria. E atendendo a esse impulso, agente acabou nessa corrida para ter sempre mais grana, e assim mais status... a corrida ganhou grandes proporções e virou essa puta zona.
Esse blábláblá freudiano-evolucionista até faz sentido.... mas não me satisfaz. (ta certo que eu coloquei aqui de uma forma bem rasa, puta merda... muito rasa mesmo, mas acho que deu pra pegar a idéia.)
Talvez seja o caso do ser-humano ainda não saber o valor da vida, e ao invés de admirar a natureza e se contemplar com a simplicidade, acabou errando a mão e se perdeu em sua própria estupidez. Tudo atrás de falsas idéias materialistas e perversas. Acabou construindo castelos de vidro sem perceber sua fragilidade, mas se encantando com sua beleza.
Esse blábláblá aqui até faz sentido(bem pouquinho, puta merda... bem pouquinho mesmo, mas faz)... mas é estupidamente nova-era demais pra mim.


(pausa para o cigarro, já volto)


Bem... talvez a resposta que mais me agrade seja mesmo : Por que eles querem!
Simples assim. Uma resposta que faz todo sentido pra mim. Bem lógica.
Talvez eu esteja subestimando o poder da vontade.
É claro que eu não quero fazer da minha vida essa coisa absurda. Eu tenho outros tipos de absurdos em mente. Minhas esquisitices são diferentes da esquisitice da vida “normal”... mas são ambas esquisitas e ambas pelo mesmo motivo: Vontade.
É claro que eu não sou palhaço pra ficar chorando o enfarte de nenhum engravatado, como também não sou palhaço pra chorar morte de soldados. Quem ta na chuva é pra se molhar. Eles sabem e assumem o risco de suas escolhas, e eu os das minhas.
O mundo é assim porque agente quer. Não existe realidade absoluta e imutável(na verdade, não existe nada absoluto e imutável... nem a verdade, muito menos a verdade). Toda essa merda é agente que caga, pisa em cima e ainda reclama.
Foda-se, vou dormir.
Agradeço a souza-cruz, que num golpe de mestre, me deu mais uma resposta inútil pra mais uma pergunta inútil. Tudo a uma módica quantia de minha saúde e um pornográfico arrombo no meu bolso todo mês.Bjundas.

Você não é o Galvão Bueno!

terça-feira, 14 de outubro de 2008
















Video muito bacana e explicatvo sobre meditação.
O bacana é que não é aquelas pentelhisses que infestam o discurso religioso.
Ta certo que medição não é bem um assunto religioso, mas tem uma certa "espiritualidade".
Talvez eu escreva algo sobre minha putisse sobre a religião e a forma tosca e cretina como ela é passada.
.
Ta aqui o blog do pião.
Noca canal dele no youtube tem muitos outros videos bacanas.
--
Memorando pra mim mesmo: (você, leitor desocupado, pode ignorar o post daqui pra frente e continuar a procurar algo mais interessante).
Comprar dois caderninhos de anotações, quando você(eu) ler isso, vai saber para que.
Pagar a matricula da porra do vestibular.
Para de vadiar na hora do almoço e termina a droga do conto.
agora vai dormir. (sim senhor)

O flautista de Hamelin

domingo, 5 de outubro de 2008



Há muito, muitíssimo tempo em uma cidadezinha chamada Hamelin, aconteceu uma história muito curiosa.

A cidade era próspera e segura com suas altas muralhas, nenhum exercito humano poderia invadi-la e tirar a felicidade de seus habitantes. As dispensas estavam sempre cheias, os governantes eram muito ricos e o povo... bem, o povo era pobre, mas nem por isso eram infelizes e em casa alguma faltava comida ou alegria. O grande rio Weser cortava a cidade e estava sempre cheio de crianças brincando.

Mas certa vez a cidade foi invadida, não por homens, pois como eu já disse a cidade era protegida por suas enormes muralhas. Mas por ratos, milhares, milhões deles. E de um dia para o outro os habitantes viram suas gordas dispensas, seus grãos, sua paz e alegria serem roídas por enormes ratos. E o pior é que ninguém sabia o que fazer, ninguém sabia de onde tinham vindo tantos ratos. Todos se trancavam em casa, e ficavam com vassouras nas mãos para matar os ratos que de 10 em 10 segundos apareciam de algum canto, até mesmo os gatos fugiam assustados, as famílias tinham que dormir em turnos, pois tinham medo de deixar os bebês dormindo sozinhos e algum rato vir e c... Deus, que maldição!

Os governantes, vendo que os ratos tinham acabado com todos seus alimentos, e ouro não era uma coisa muito boa de se comer, convocaram uma assembléia com os habitantes na praça central da cidade. Toda a guarda foi mobilizada para tentar manter os ratos longe da praça. Após algum tempo de discussão sobre o que fazer e sem chegar a nenhuma solução, o prefeito, desesperado, ofereceu 500 moedas de ouro para quem conseguisse livrar a cidade do problema. E nesse momento saiu do meio da multidão um homem com trajes verdes e estranhos, ninguém nunca havia visto o sujeito até aquele momento, ele usava um grande chapéu enfiado na cabeça e era difícil ver seus olhos, ele era alto e muito magro, no cinto carregava uma pequena flauta dourada. Ele abriu caminho até o centro da praça, onde se encontravam os poderosos governantes. E vendo que agora todos prestavam atenção nele, disse que livraria a cidade dos ratos, que todos poderiam dormir sossegados nessa noite e que pela manhã não haveria um roedor sequer dentro dos limites da cidade.

E assim foi que naquela noite, enquanto todos estavam trancados em suas casas, começou a se ouvir uma linda e suave melodia de flauta. A melodia era tão linda que todos queriam abrir as portas e ver quem estava tocando. E realmente o teriam feito, se não fosse a correnteza de ratos saídos de todos os cantos que corriam para a rua passando por debaixo das portas. Quando o 'fluxo' de ratos pareceu terminar, todos saíram para a rua tentando ver o que estava acontecendo, ainda era possível ouvir a melodia, e lá longe se via o flautista com seu grande chapéu, ele era seguido por um mar de ratos, todos andando calmamente, como que hipnotizados. Ele andava dançando em direção ao rio. De longe, os habitantes seguiam na mesma direção, para ver o que ia acontecer.

Chegando na margem do rio, o flautista deus alguns passos para dentro da agua e parou, os ratos o seguiram e foram levados pela forte correnteza, não houve um rato sequer que deixou de entrar na água. Se vendo livres da praga, os cidadãos ficaram muito felizes, e naquela noite houve uma grande festa na cidade. O flautista, após ter feito seu serviço, foi-se embora, mas ninguém se importou muito com isso, afinal a cidade estava a salvo.

Após uma semana, a cidade já tinha voltado ao seu ritmo normal. As crianças corriam pelas ruas, os vendedores gritavam nas feiras e as dispensas voltaram a se encher, as famílias podiam dormir tranqüilas, sabendo que nada de mau lhes aconteceria.

Um ano se passou e a cidade resolveu fazer uma festa para comemorar o aniversário da retomada da paz. No ápice da festa, quando todos estavam no centro da praça, o flautista novamente abriu caminho entre a multidão e todos o observaram quietos e se perguntando da onde diabos ele tinha saído, e por que retornara depois de tanto tempo. Vendo que tinha conquistado a atenção de todos, o flautista se dirigiu ao prefeito e disse que tinha voltado para cobrar as 500 moedas que tinham lhe sido prometidas.

O prefeito fez uma cara de pensativo, e falando bem alto para que todos pudessem ouvi-lo, disse que achava que 500 moedas de ouro era um pagamento muito alto para alguem que só tinha tido o trabalho de tocar sua flauta. Perguntou então se os cidadãos concordavam que o flautista não deveria ser pago. Não houve uma só voz que não gritasse que não, o flautista não deveria ser pago. Vejamos a situação da cidade, 500 moedas de fato é muito dinheiro para se pagar por uma musiquinha.

O prefeito tirou então 3 moedas de ouro e jogou aos pés do flautista, que permanecia parado em sua frente. E gritou para que a festa continuasse. A musica voltou a ser ouvida e a festa voltou a fazer barulho.“pois bem” pensou o flautista, “se essa é sua ultima palavra”, se virando e indo embora sem nem olhar para as moedas jogadas no chão.

Naquela noite noite as luzes se apagaram tarde, e todas as pessoas foram dormir cansadas da festa. Foi quando, perto do nascer do sol, se ouviu novamente a melodia da flauta. Todos acordaram e abriram a janela para ver o que estava acontecendo. A melodia era muito bonita, apesar de ser diferente da que eles tinham ouvido um ano antes. As crianças saíram de suas camas e abriram as portas de suas casas, os pais estavam paralisados, observando pela janela seus filhos dançarem pelas ruas e indo embora. As crianças pareciam não ouvir os gritos, as súplicas e as lágrimas de seus pais pedindo que eles voltassem. Naquela noite todas as crianças seguiram o flautista, e seus pais apenas puderam vê-los sumindo no horizonte.

E ainda hoje, se você procurar, verá muito ouro e dispensas abarrotadas de comida. Mas não encontrará nenhum sorriso, nenhum rato, e nenhuma criança. A cidade está em silencio.

Layout novo!!!


Ola galerinha.
Layout NOVO. AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
Deu um tantão de trabalho (mentira, peguei um template e foi só alterar as imagens e alguns códigos) e ainda não está totalmente acabado(falta acertar uns posts antigos que ficaram feio bagaraio nesse template). Mas é coisa que até amanhã ja ta acertado.
Agora é trabalhar para deixar este caótico também!
bjundas.
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E para alegrar o domingo, mais uma música do Nick
Nick Cave and The Bad Seeds - The Mercy Seat

Pequeno(e irrelevante) comentario sobre o blog.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Ola coleguinhas. Como vocês devem ter percebido, tem outro mané postando. O sr. -b. (aquele que quer conquistar a mulher do patrão, e que sonha em ser o sr. X, que por sua vez é aquele que nunca perde o seu chapéu...dê um chute no patrão!), eu não sei sobre o que ele pretende escrever, não sei também com que freqüência ele o pretende fazer, e sinceramente eu não me importo nenhum pouco.

Eu gosto dessas surpresas.

Além do mais, essa bagaça ainda não tomou um rumo certo. Fico pensando se eu quero que isso aconteça, sacam? Talvez perdesse a graça. não sei se quero que isso vire um ônibus, que segue sua rota certeira, parando em pontos pré-determinados e apesar de alguns atrasos ocasionais, você sabe aonde vai chegar.
Achoque prefiro um táxi-desgovernado, que zanza por aí sem rumo, parando aonde e para quem acha que deve parar, um veiculo que te leva para onde você não quer ir em uma velocidade que te faz vomitar. Sinceramente estou mais inclinado para essa opção.
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Outro ponto que eu quero comentar é o fato dessa merda estar extremamente zoneada.


Comentaram em uma comunidade do orkut que o blog precisa de mais organização, eu parei... fiz cara de “hummm” “mas o blog não é bagunçado”... bem, vamos ver.... Puta merda, que zona! a coluna lateral ta totalmente desorganizada, os posts estão ficando grandes... as imagens são colocadas de forma tosca e a porra toda tem cara de putero-crexe. Resumindo: um grande e desnecessário Caos!
...
MARAVILHA!!! fiquei muito feliz, dei três pulinhos e agradeci ao grande Deus-Barata.
Estou pensando até em fazer uns textos na vertical e de ponta-cabeça.
Espero que vocês sejam felizes na suas vidas.
Bjos nas bundas cabeludas (e nas lisinhas também)
Amém.
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Fiquem agora com um video, postado não apenas para dar colorido ao post, mas também porque é de um músico muito foda e que eu não me canso de ouvir.





Nick Cave & The Bad Seeds - Dig, Lazarus, Dig!!!

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Posted by: Sr. Carlos, Sr. Sérgio, Sr. Felipe, Sr. Gomiboy, Sr. Porpeta(as veses também conhecido como Sr. Thiago), Sr. Timóteo Pinto e Sr. -b.(Não presente em corpo mas em contato telepatico constante.)


Nossos olhos.

O céu é laranja. Alguém já percebeu?

Não no mundo todo, acredito eu, mas aqui o céu é laranja.
Pelo menos de noite. Pelo menos aqui no centro.
Me lembrava de ver um céu escuro quase preto de noite, e com o tempo ele foi se iluminando e mudando de tom. Primeiro ficou meio violeta, mas ainda tinha estrelas.

Agora ele é laranja. E só de vez em quando tem estrelas.

Meus olhos são pretos. Alguém já percebeu?

E quando eu nasci meus olhos eram clarinhos, mas agora já não são.
Não eram e nem nunca foram dessas cores que todo mundo acha lindo, mas ele era claro. E de vez em quando até ficava um poco verde.
Me lembro de olhar no espelho e ver aquelas duas bolas amendoadas me encarando de volta, e com o tempo eles foram mudando de tom. Primeiro ficaram marrons, mas ainda conservavam um certo tom de mel.

Agora eles são pretos. E só de vez em quando parecem um pouco marrons.

E as paredes são todas cinzas. Alguém percebeu?

Não me lembro em que ponto tudo isso trocou de cor, se é que trocou de cor.
Talvez em algum ponto a gente tenha parado de ver as cores nas coisas, talvez fossem nossos olhos que pintavam o mundo com as cores deles, mas agora meus olhos estão pretos. Só vejo o céu cinza e paredes cinzas de dia, e um céu laranja e paredes pardas de noite.

Meus olhos já não pintam mais nada, já não têm neles cores suficientes para que o mundo seja algo além um filme velho em P&B. As lembranças todas em sépia, e o dia a dia passa cena a cena aceleradamente arrastada que parece que eu vejo a mesmo cena todas as vezes. Talvez seja, talvez seja tão similar que eu me pego a simular que são a mesma, pelo menos assims seria mais mágico.

Talvez minha caixinha de felicadade tenha acabado, preciso ver se a loja tem mais, se tem como trocar. Ou como encher, talvez? Não sei dizer.

Nem mesmo o toldo multicolorido das lojas parece realmente multicolorido, mas sim simplesmente enegrecidos, cinzas de fuligem e poeira. Tudo tem fuligem e poeira. E elas se acumulam dia a dia.

E nossos olhos não pintam mais. Acho que preciso trocar os pinceis, acho que preciso de mais tinta. Alguém me diz se assim meus olhos podem voltar a pintar?

Uma introdução

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Olá pessoas. A partir de hoje eu tbm posto nessa bagaça.

É mais pra avisar quem ler isso aqui (num faço idéia de quem frequente tal possilga, mas me convenceram de era uma boa idéia, enfim) que tem mais um peão assinando os posts aqui.

Não confudam tá? Seria indelicado. Não pra mim, mas para nosso amigo. Afinal, o blog é dele, e eu sou mero colaborador.

Eu poderia enumerar as diferenças entre um estilo e outro, mas isso não seria divertido. Afinal eu entregaria todo o ouro a vocês, e isso não teria nenhuma graça para mim.

Mas vcs notarão que eu num manjo nada de html, o que quer dizer que nos meus posts num tem link. Nenhum. (O que tbm entrega o porque o blog é dele, e não meu.) Tá, se for MUITO importante eu coloco o endereço da bagaça, por extenso. Nada de palavrinhas chaves bunitinhas. Mas duvido que isso aconteça.

Não colocarei fotinhas minhas e muito menos textos explicativos na barra lateral porque:

1 - Isso é um porre de fazer, e

2 - Eu não faço idéia de como fazer.

Basicamente é isso. Esqueci algo?

E nem pensem que eu tenho um nome bunitinho, eu mal sei como devo chamar o Dono Dessa Bagaça (Acreditem, ele tem muitos nomes, dá pau em qualquer figura mitológica como Javé e tais)

Até mais. Outro dia continuo com os resmungos.

-b.

Passageiro Ancestral (Parte I, II e III)

Isso ae, como prometido, estou postando a terceira parte do conto “Passageiro Ancestral”. Acabei fazendo algumas modificações no texto, e achei melhor posta-lo inteiro, com a parte I e II(que já tinham sido postadas).
A minha opinião é que o texto ficou muito aquém do que eu esperava. Achei a história muito boa (apesar de achar que alguns conceitos ainda carecem de desenvolvimento), mas a forma de conta-la não foi lá essas coisas.
Fiquei muito feliz, pois esta é a primeira vez que começo um conto e consigo terminá-lo. Tenho o péssimo habito de largar boas histórias pela metade, mas dessa vez consegui vencer a preguiça.
Por achar uma história muito boa, e achar também que posso contá-la de uma forma muito melhor, estou a re-escrevendo de uma forma que me é mais natural, com um tantinho a mais de sarcasmo e bom humor. Escrevi quase a toda a primeira parte ontem. Estava puto da vida, e acabei descobrindo que eu escrevo muito melhor e mais naturalmente quando eu estou com raiva...
Blá blá blá, está aí o conto inteiro. 

Parte I

- Boa noite Júnior.
- Vovô, me conte uma história.
- Júnior, o vovô está muito cansado e precisa dormir. E você também tem que descansar para amanhã.
- Pode ser uma história curta mesmo vovô, tem um monte de histórias curtas naquele livro preto que está no meu armário. Papai me lê uma história toda noite.
- Eu perdi meus óculos querido, e mal consigo enxergar minhas próprias mãos.
- Pode ser uma história de memória mesmo vovô, só para eu conseguir dormir.
- Tudo bem então, mas só uma, depois você vai dormir e o vovô também. Agora chegue mais para o canto para eu poder me sentar.
- Ta bom.
- Bom... Era uma vez um jovem, ele não era nem muito alto, nem muito baixo, nem muito gordo, nem muito magro. Não tinha nem muito, nem pouco cabelo, e este não era nem muito claro, nem muito escuro. Seus olhos não eram nem verdes, nem castanhos, nem azuis, nem mesmo eram pretos...
- Ele não era nada vovô? Como isso é possível?
- Sendo possível oras! Não questione as histórias Júnior, apenas as ouça e aprenda com elas. Agora não me interrompa novamente. Bem... nem mesmo eram pretos seus olhos, enfim... era uma rapaz comum. Esse rapaz comum trabalhava em um escritório comum, em uma avenida qualquer de uma dessas grandes cidades.
Certo dia, ao sair do trabalho, ele resolveu parar em um bar, desses que agente vê em qualquer esquina, e tomar algumas cervejas. O grande problema é que o jovem não esperava ficar bêbado tão depressa, mas foi assim que aconteceu. O que o rapaz também não esperava, era conhecer uma linda moça que, ao que parecia, estava tão bêbada quanto ele, e isso, também foi o que aconteceu (e também acabou se tornando um grande problema, como o jovem iria perceber mais tarde). Os dois conversaram por horas, beberam, riram e dançaram, e ao final da noite, foi a moça quem o convidou para ir até sua casa para que eles continuassem dançando. O jovem ficou muito feliz e teve certeza que aquela moça iria mudar sua vida para sempre.
Eles foram para a casa dela e assim que fecharam a porta começaram a dançar tão loucamente, que suas roupas voavam de seus corpos e caiam no chão. Porém, o jovem estava muito bêbado à aquela altura, e não conseguia acompanhar a moça, ele pediu desculpas envergonhado e perguntou se eles não poderiam continuar dançando no dia seguinte. Ela disse que não, ela queria dançar naquele momento, ela ficou furiosa com o rapaz e começou a gritar com ele...
...e é só disso que o jovem se lembra. Depois de algumas horas ele acordou no meio da rua, com a cabeça doendo muito. Ainda era noite e ventava forte, era uma noite fria e sem luar, mas as estrelas brilhavam como sinos e o céu parecia um grande rio com pedrinhas de cristal brilhando ao fundo. Elas conduziram o jovem para casa naquela noite, e ele dormiu até o amanhecer.


 

Parte II

Naquela manhã o sol entrou forte pela janela do quarto do jovem rapaz, e a luz o despertou calmo. Antes mesmo de se levantar, a calmaria começou a ceder lugar a um violento e desconexo sentimento de culpa, alimentada por flashes de memória tão terríveis que sequer pareciam seus.
Ele se levantou e caminhou até a cozinha para preparar o café, pois vivia sozinho e não havia ninguém que pudesse fazer isso por ele. De seus passos soavam ecos que perturbavam os ouvidos e a estranha culpa entristecia tudo o que olhava.
A esperança de que o café realinhasse a realidade e trouxesse de volta a luz do sol o confortou. Pôs a água para ferver e a observou formar bolhas no fundo da panela, em pouco tempo a água começaria a borbulhar e se evaporaria. O fogo devia ferir a água para que ela agisse dessa forma, mas essa ferida era necessária para que ela tomasse forma de vapor e subisse aos céus.
O jovem deixou a água esquentando e seguiu até o quintal onde apanhou o jornal que o jornaleiro havia entregado naquela manhã. Ao terminar de ler a primeira página, a origem de toda sua culpa se revelou, todo o mal foi jogado em sua face e desencadeou avalanches de terríveis memórias que paralisavam seu corpo em tremores gélidos. Em um choque silencioso o jornal caiu no chão gotejando sangue e exalando miasmas de terror.
Aquela moça que conhecera na noite anterior, aquela mesma linda moça o chamou para dançar estava morta, assassinada brutalmente em sua própria casa.
A culpa marchou violentamente sobre seu peito, esmagando suas costelas, e o jovem não era mais ele, seus movimentos, suas lágrimas, e seus gritos não eram mais seus. Eram as lágrimas, gestos e gritos do desespero. Com o peito em convulsões se arrastou até o banheiro e mesmo seu vômito saiu em grunhidos de agonia.
Então ele se olhou no espelho, e cada nova ruga, cada novo fio branco de cabelo, cada cicatriz deixada pelas lagrimas, gritavam com a voz de outro ser. Um ser velho e cansado que se hospedou em cada grito.
Este ser o olhava duro e serio, contradizendo as expressões distorcidas e apavoradas do jovem. Prevendo a loucura, o rapaz abaixou a cabeça envergonhado. Quando as lágrimas secaram, e o jovem tornou a mirar o espelho, o ser continuava a olha-lo sério. Então a entidade começou a mexer os lábios e a falar, e sua voz ribombava alto feito trovão nas nuvens do medo que assolavam os pensamentos do jovem.
Ele disse:
- Eu posso te ajudar. Posso te livrar dessa culpa..
O jovem sentiu tudo ficando escuro e o chão fugia de seus pés. A escuridão ia além de sua casa, além de seu mundo. E lá no fundo de seu universo, onde nem mais os sóis brilhavam, o ser ainda o encarava, mas agora ele sorria.

 

Parte III
 


Ele acordou ainda a tempo de se segurar, e sentiu o chão firme novamente. Olhou-se no espelho, mas não se viu, viu somente uma carranca distorcida escarnecedora de si mesmo que lhe repetiu:
- Eu posso te ajudar. Posso livra-lo dessa culpa.
As lagrimas voltaram a lhe queimar a face, mas ele não tinha mais forças para gritar e apenas sussurrou:
- Eu estou louco! Você é o demônio que veio me tentar em minha loucura.
- Não seja tolo rapaz. Eu não sou nada que você não seja.
Sua voz se alojava em cada espaço de sua caixa craniana, mas o conforto e a plenitude por ela causada sobrepunham toda a agonia mnemonica. Era como se toda a dor, todo o tempo, todo o fluxo de memória cessasse para que aquela conversa acontecesse. Mas o medo permanecia.
- Meu Deus! Quem é você? O que você quer?
- Certamente não sou seu Deus, esse título eu dispenso. Sou apenas alguém que está aqui a muito tempo, alguém que foi importante para a evolução de sua espécie, um dos que foram criados por vocês no principio. Mas quem eu sou, quem eu realmente sou é uma resposta que só poderei lhe dar caso aceite minha proposta. E é isso o que eu quero: Lhe oferecer uma proposta.
- E o que você me dará, caso eu aceite essa proposta?. Disse o jovem.
- Eu já disse, te livro de toda a culpa.
- E como você pode me livrar da polícia?
- Não de seus perseguidores externos garoto, mas sim dos internos. Com a polícia você terá que lidar pelos seus próprio meios, fuja, você ainda é jovem... vá para outro país e comece uma nova vida, ninguém ainda te ligou com o assassinato daquela jovem. O que eu posso fazer é te livrar de seu sentimento de culpa, e acredite, a culpa é o pior dos carrascos, e o livrarei dele para sempre.
- E como eu sei que você pode mesmo fazer isso?
- Eu já estou fazendo. Diga-me, eu sei que você ainda se lembra, mas sente alguma culpa? Ainda sente vontade de chorar? E o desespero, ainda está ai?
- ...
- É o que eu estou dizendo. Posso fazer e o farei para sempre... caso aceite minha proposta.
- E o que eu terei que fazer?
- Tudo o que eu peço em troca, é que você não me deixe morrer. Eu quero que você fale de mim para seus descendentes, e que os instrua a fazer o mesmo.
- Só isso? Eu só tenho que falar de você para meus futuros descendentes?
- Exatamente, dessa forma você e eles me deixarão mais forte.
- Só tenho que contar a eles que você veio aqui e falou comigo?
- Não é tão simples. Você precisará dizer a eles quem eu sou e o meu nome.
- E qual é seu nome?
- Você aceita minha proposta?
- Tenho sua palavra de que cumprirá o prometido?
- Tem minha palavra, e terá também muito mais do que isso. Terá o meu nome.
- Então sim, eu aceito. Agora me diga seu nome.
- Bem... No Principio, assim como agora, sua espécie, assim como todas as outras, precisavam matar para sobreviver. Mas ao contrario do que acontece com as outras espécies, a sua desenvolveu um tipo de repúdio pela batalha da vida, um arrependimento de estar vivo e de executar os atos da vida, que boa parte das vezes é a morte de outros seres, e a esse arrependimento vocês deram o nome de 'culpa', e foi nesse momento que eu nasci, mas eu ainda estava incompleto, faltava metade de mim, pois como todo ser que é um, eu preciso ser dois para estar completo. O eu-que-dá já estava pronto, faltava agora o eu-que-tira, e dessa forma eu os ensinei a exorcizar a culpa, eu ensinei rituais que incorporavam suas vitimas à sua sociedade de modo que a culpa desaparecia, e isso deu a vocês a oportunidade de entender o movimento natural da existência. Logo eu estava completo com o eu-que-tira- e o eu-que-dá, e tanto eu quanto vocês progredimos. Mas em algum momento eu devo ter me descuidado, pois vocês deixaram morrer tudo o que eu ensinei. Todos os rituais estão mortos e sua culpa se acumula a cada dia. Cada guerra, morte, seja para fins de alimentação ou não, cada cigarro jogado ao chão, cada palavra proferida, cada pequeno gesto seu é carregado de culpa. Você pode pensar que toda essa culpa é de grande valia, pois mostra seus atos errados e o ajuda a corrigi-los, mas você não poderia estar mais enganado. Essa culpa descontrolada obscurece seu discernimento e seus pensamentos ficam cada vez mais confusos, creia-me, isso só os levará a destruição, destruição de sua espécie e logicamente também a minha.
Meu eu-que-dá está saturado, ele foi alimentado por muito tempo. Meu eu-que-tira quase não pode mais se mover de tão enfraquecido, e quando ele finalmente morrer, vocês não terão mais como retirar a culpa de seus ombros e afundarão na terra.
Contando aos seus descendentes sobre mim eles aprenderão sobre o eu-que-tira, e assim o alimentarão deixando-o mais forte, devolvendo equilíbrio a minha existência, e conseqüentemente a sua também.
Eu lhe contei quem eu sou, a minha história, contei-lhe de que eu preciso e isso constitui meu ser. E por ser verdade todo o conhecimento que eu passei à você, selo meus ensinamentos com meu nome. Eu me chamo Warack-naib'eal

.

- Bem... e é assim que aconteceu essa história, ela ainda não acabou, mas já lhe contei o que eu tinha para contar. Guarde com carinho essa história, estou certo que você não a esquecerá. Agora durma com aos anjos Junior.

 
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